[br] A Princesa Prometida (crítica especial)

4–7 minutos

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Eu fui convidado a assistir A Princesa Prometida com uma amiga querida minha; esse texto serve de uma análise crítica do filme tanto quanto uma inferência analítica à pessoa dela.

A Princesa Prometida é um dos filmes favoritos dela. A comédia fantasiosa de Rob Reiner possui muitos aspectos que me lembram dela, e vou tentar pintar a sua imagem com minhas breves palavras ao decorrer do que escrevo.

Ao que entorna o amor, a irrealidade de sua visão se faz crer a existência do inexistente e a solidificação do que não tem forma. Desse modo, eu sempre gostei de algumas formas para a representação de tal sentimento. Você pode mantê-lo simples, em pequenos detalhes que se acumulam e desmancham como uma avalanche quando toma sua forma. Você pode mantê-lo completamente abstrato, de tal forma que você não consegue dizer exatamente o que você está vendo, mas a sensação e a inferência próprias de sua qualidade como um humano transmite às formas e sons a característica inexplicável do romântico.¹ Em A Princesa Prometida, o filme se conclui como um espaço ideal para o crescimento da visão do amor de quando somos mais jovens; o espaço é completamente cercado pela fantasia, o que naturalmente intensifica os caminhos percorridos pelo sentimento.

Além do romance, a amizade e a bondade humana são exploradas em um excelente elenco de personagens secundários. Inigo Montoya, personagem de Mandy Patinkin, e André the Giant no papel de Fezzik compõem a extensão da alma e do coração humanos, tornando-os criaturas essenciais pra história. Vizzini (Wallace Shawn), o Conde Rugen (Christopher Guest) e o príncipe Humperdinck (Chris Sarandon), no entanto, são os obstáculos a serem cruzados pelos heróis. São a maldade humana e os intempéries da fantasia.

Por fim, o último aspecto que preciso notar é um que me pegou de surpresa, mesmo sendo algo mostrado no começo: a história toda é apenas um livro que um avô (Peter Falk) conta ao seu neto (Fred Savage). Eu gosto das inclusões desses momentos, principalmente pela consistência do aspecto satírico do filme. De todas as sátiras encontradas ao gênero fantasioso encontradas no roteiro, a mais significante para mim é a relação metalinguística do neto como um espectador da história, a julgando por ser romântica, mas se tornando cada vez mais interessado na história do avô. O filme (e o livro de William Goldman) não querem se afastar do gênero, que já viu tantos gêmeos ao redor dos anos. Ao contrário, eles utilizam do gênero e de sua preexistência como um ingrediente tão efetivo para essa receita que tornam o resultado final uma das melhores criações dentro do gênero.²

Me permita, agora, virar os olhos para o amor novamente. É o papel de Westley (Cary Elwes) passar pelos espaços e templos da agonia e do poder destrutivo e imprevisível do tempo para poder viver ao lado de Buttercup, a Princesa Prometida, na pele da atriz Robin Wright. Se você entende as qualidades épicas de uma jornada de herói qualquer, grega ou moderna, como uma roda, ela não parece se mover sem o amor. Acredito que isso é um aspecto doce de ver um filme como esse em uma idade tão pouca. Você vê alguém passar pelos intempéries da fantasia, e dizer bravamente que o esforço sobrehumano vale a pena por sua amada, e então você imagina que isso é o amor. E então você ama, mas nunca o Westley. Você não se vê como a Princesa Prometida, porque ninguém parece demonstrar essa vontade de atravessar o Pantanal de Fogo por você, ou ganhar do Vizzini em uma batalha de mentes ou arriscar enganar o príncipe Humperdinck com seu corpo sem energias. Eu quero finalizar esse parágrafo dizendo à ela que você vale todo esse esforço e muito mais; por mil Pantanais de Fogo e por mil Vizzinis, e que o amor se torne ainda mais complexo. Para o nosso próprio caminho, você vê seus próprios intempéries e se pergunta se o que sente vale a luta. Eu não tenho essa resposta para você, mas o que eu sinto, sim, vale. Não me vejo sentindo algo diferente tão cedo, e não há nada o que você possa fazer pelo que sinto. Me deixe com minha espada à espreita, e você pode dormir tranquila.

Por fim, eu gosto do aspecto familiar do filme, também. Eu adoro ouvir sobre sua família e sua relação com ela, tão próxima e doce, mesmo quando conturbada. É um mar sem ondas saber de seu espaço seguro ao lado deles, o quão completa você é em sua terra natal. Você tem seus amigos, companhias sólidas para o chão que você anda, mas a sua família e sua casa são os espaços onde seu barco repousa. Gosto de pensar que você tira algo para você quando vê o avô do filme com seu neto, a história contada e a inocência da infância, com seus próprios sentimentos sendo a tela para que a fantasia do filme possa ser pintada. Creio em você a resiliência do tempo, a inquietude da mudança sendo quieta, como passos na areia ficando para sempre. A sua força, a sua bondade, a sua resistência, a sua criatividade, o seu espírito, a sua inteligência, a sua sensibilidade, a sua honestidade, a sua lealdade, a sua risada, o seu sorriso, o seu rosto lindo. Esses são os ventos que fazem minha roda girar, e que me fariam atravessar reinos perdidos no tempo para me achar em você, meu porto seguro.

¹ – Eu sempre gostei da ideia de descrever o céu e o inferno como espaços indescritíveis, dos quais são impossíveis formar uma imagem que represente o que você vê se você estiver lá. São sensações encarnadas, agonia ou benção puras; estados de espírito invés de lugares.

² – Para os leitores mais jovens, a sátira de Rob Reiner ao gênero da fantasia pode ser vista similar com a sátira de Wes Craven em Pânico (1996) ao gênero de filmes de terror da época.

Sobre o texto: te amo, coisinha.

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